Este blog é para postar os artigos que são publicados no jornal A Folha Regional, de Getúlio Vargas, de autoria de Paulo Dalacorte.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Santa Maria, Rogai por nós


“Em cada despedida existe a imagem da morte. George Eliot”
Ultimo domingo de janeiro com manha ensolarada estava eu iniciando os preparativos do churrasco, e com as malas prontas para uma semana de férias na praia. Tudo em seus conformes até que a vizinha nos falou sobre o terrível incêndio ocorrido na madrugada de sábado na boate Kiss, na cidade de Santa Maria.
 Prontamente liguei a TV, acessei a net e as noticias já relatavam a morte de mais de duzentos jovens carbonizados ou asfixiados. A festa nominada “Agromerados” acabou sendo um aglomerado de jovens vitimas do incêndio. Cenas comoventes e chocantes, que certamente ficarão marcadas para sempre. 
Cito apenas uma, das muitas historias que marcarão em minha memória. Lembro o pai de uma vitima, que após reconhecer o corpo da filha no Ginásio Municipal, relatou chorando que o que havia visto era similar as imagens mostradas nos campos de concentração. Um amontoado de corpos, uma carnificina do século XXI. 
Passadas alguns dias do acidente, começam a ser esclarecidos muito fatos que culminaram com esta tragédia. A grosso modo existia um local superlotado, uma única saída de emergência, isolamento acústico inadequado e uso de artifícios pirotécnicos em local fechado, entre outras irregularidades que vem aos poucos sendo apontadas.
Esperemos, pois, o decorrer do inquérito policial e posteriormente a ação judicial. Que as autoridades cumpram o seu dever e responsabilizem os culpados. Ao menos desta forma se fará um pouco de justiça para aplacar a dor da perda de centenas de jovens.
Afinal, perdemos um pouco de nosso futuro como País. Pois estes jovens de todas as regiões do Brasil perderam a vida nesta tragédia. A maior parte deles fazendo enormes sacrifícios para realizar os sonhos de um futuro melhor para si e seus familiares. 
Nossa querência esta de luto, nesta que é considerada a maior tragédia no Rio Grande do Sul. As jovens vitimas que descansem em paz. Independente de religião ou crença oremos a Deus que abençoe a todos familiares e amigos que foram surpreendidos pelo trágico acontecimento. Enfim, a Santa Maria, rogai por nós.

Publicado no jornal A Folha Regional em 8 de fevereiro de 2013.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

O Futuro da Coleção de Gravuras - Parte Final



O futuro pertence àqueles que acreditam na beleza de seus sonhos. - Eleanor Roosevelt
No início apenas a vontade, a paixão e o sonho de seu dono. Hoje, passados mais de uma década, uma realidade viva e um bom caminho andado.  Anualmente a Coleção acrescenta em seu acervo novas obras, algumas de importantes Coleções Brasileiras. Amanhã talvez se torne consagrada e referência na arte gaúcha.
Porém, ao falar de futuro, é necessário um bom planejamento.  Difícil acreditar que algo seja promissor sem planos estratégicos. Estar atento e informado sobre o mercado de arte e ter contatos que acrescentem ideias na qualificação da Coleção é fundamental. E, também, buscar criar sucessor(a) ou formas de mantê-la futuramente.
Agora imaginem a Coleção como um cidadão brasileiro, ou uma empresa. Ela também sonha em ter sua própria morada. E já esta se concretizando esta possibilidade. Há um terreno definido, um projeto do arquiteto paulista Mario Figueroa, amigo e também colecionador de arte.
Notem, portanto, que a Coleção de Gravuras não é mais uma vontade e gosto pessoal do dono. Ela chegou à adolescência e quer interagir com sua cidade e o mundo. Afinal sua missão é exibir seu acervo, na sua casa e a todos os espaços destinados a divulgação da arte que possam estar interessados em admirar a arte gaúcha em gravura.
Bem se realizados todos estes planos talvez a cidade de Getúlio Vargas, terra natal da Coleção, seja incluída na rota de alguns bons eventos culturais do mundo das artes. Se depender do sonho do dono e dos colaboradores da Coleção a real concretização do futuro esta próxima. Aguardemos, pois os próximos capítulos.

Publicado no jornal A Folha Regional em 18 de janeiro de 2013.


quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

O caminho da Coleção de Gravuras - Parte II


Covarde é aquele que não abre novos caminhos na vida, nem emprega as suas forças para enfrentar os obstáculos. - Autor Desconhecido
Durante o caminho na montagem da Coleção, surgem colaboradores que a fazem ultrapassarem os limites de nosso município. Individual ou coletivamente ajudam a organizar, a ampliar e a divulgar o seu acervo.
 Colabora, desde o início, Hugo Gusmão, diretor do Museu do Trabalho de Porto Alegre, repassando conhecimentos técnicos sobre gravuras. Depois, chegaram Mônica e George Kornis, casal carioca, com 35 anos de colecionismo, possuidores da maior coleção de gravuras do país. Foi deles a ideia de tornar a Coleção especializada na gravura gaúcha. 
Após, conheci Rubem Grilo, artista e curador de exposições.  Grande colaborador e divulgador da Coleção. Através dele parte do acervo foi exposto na mais importante mostra de gravuras realizada no Sul.  O evento denominou-se “Impressões – Panorama da Gravura Brasileira”, e se realizou no Santander Cultural em POA.
 Também importante a professora Roseli Pretto. Através dela, no ano de 2002, o acervo da Coleção foi exposto pela primeira vez no MAVRS em Passo Fundo. Pois, de lá até o momento foram realizadas oito mostras percorrendo cidades como Passo Fundo, Porto Alegre, Pelotas, Bagé, Erechim. Em Getúlio Vargas ocorreu, no ano de 2004, na Biblioteca Pública onde compareceram mais de seiscentas pessoas. 
Na mostra “Rubem Grilo na Coleção Paulo Dalacorte” realizada em Passo Fundo no MAVRS, os colaboradores Rubem Grilo e George Kornis compareceram pessoalmente, quando conheceram Getúlio Vargas. No texto de abertura para esta mostra George Kornis escreveu:
“Qual é o caminho!
Qual é o caminho que liga Passo Fundo ao Rio de Janeiro? Qual é o caminho! Não apenas chão – que conduz as magníficas gravuras de Rubem Grilo até a sala de exposição do Museu de Artes Visuais Ruth Schneider em Passo Fundo? Esse caminho começa no Rio de Janeiro, local onde Rubem Grilo as cria, e, mais precisamente, a partir do sólido vinculo de amizade existente entre ele e eu. Como assim?É de fato um vinculo entre um artista plástico e um colecionador de gravuras e estudioso de artes, ambos do Rio de Janeiro, o elemento que gerou esta exposição? Na verdade não foi apenas esse fato, pois o caminho de ligação que estamos reconstruindo passa por Getúlio Vargas no Rio Grande do Sul. O que!!???!! Sim, Getúlio Vargas, pois lá que mora Paulo Dalacorte. Quem? Paulo Dalacorte, um colecionador de gravuras, e amigo meu, que se torna também amigo e admirador da obra de Rubem Grilo – hoje reconhecidamente o maior xilogravador do Brasil. E daí? A coleção Dalacorte possui em seu acervo um conjunto de obras de Rubem Grilo, e, com base nesse fato, surge a possibilidade de propor aos dirigentes do Museu de Artes Visuais Ruth Schneider realizar em Passo Fundo uma mostra de um padrão de qualidade estética que, de outro modo, tangenciaria o impossível. Proposta aceita, buscamos Dalacorte, Grilo e eu traçar caminhos que ligam mais do que cidades, pessoas. Sim, pessoas! Agora não apenas três, mas muito mais. Muito mais mesmo! Sejam bem-vindos ao mundo dos criadores de caminhos. George Kornis - Rio  de Janeiro – março 2004.
Portanto, o caminho traçado pela Coleção Paulo Dalacorte, ao longo deste período percorreu chão, levando não só uma seleção de gravuras do seu acervo, mas o nome da nossa cidade. Com certeza ampliou seus horizontes trazendo na bagagem gravuras, amigos e criando possibilidades até então inimagináveis. 

Publicado no Jornal A Folha Regional em 11 de janeiro de 2013.

O início da coleção de gravuras - Parte I


Por vezes a curiosidade abre novos horizontes, quando não, acende a chama do entusiasmo para procurá-los. - Textos Judaicos
A partir do momento que criei a necessidade, pela vontade e curiosidade de adquirir algumas obras de arte e decorar as paredes da minha residência, nasceu também, a ideia de formar um pequeno acervo de artes.
Pois o acervo da Coleção Paulo Dalacorte, ainda em formação, é o resultado do trabalho que se tem para reunir um conjunto de objetos da mesma natureza, no caso a gravura. Às vezes dura certo tempo na existência do colecionador, muitas vezes anos, outras por toda a vida. Portanto para se entender o sinônimo de colecionar é, sobretudo, aprender.
 Feitas as primeiras aquisições num consorcio de gravuras e gostando das obras de arte que recebi, era primordial e necessário aprofundar os conhecimentos sobre a gravura. A origem, as técnicas utilizadas, artistas que usaram a gravura como forma de expressão, enfim o que estivesse relacionado sobre o tema.
 Resumo, abreviadamente, ao leitor este “bicho” chamado gravura. Surgiu na China há dois mil anos atrás. Inicialmente usado para imprimir cartas de baralhos. Com o tempo foi dada outras utilidades como estampar livros e reproduzir imagens. Só no século XX, com a chegada da produção em série e o surgimento da fotografia é que foi mais difundida como obra de arte.
De um modo geral, chama-se “gravura” o múltiplo de uma obra de arte, reproduzida a partir de uma matriz. Trata-se de uma reprodução “numerada e assinada uma a uma”, compondo desta forma uma edição restrita de cópias. Existem vários tipos de gravura, ou, técnicas distintas de reproduzir uma obra. As mais utilizadas são: a gravura em metal, a litografia (na pedra), a xilografia (na madeira) e a serigrafia.
Desde 98 dedico um tempo diário para a coleção de gravura. E, especificamente para a gravura gaúcha e os artistas que nasceram ou adotaram nossa terra para viver.  O objetivo é ao longo do tempo juntar um número de obras que deem ao publico um panorama da evolução da arte gaúcha através da gravura.

Publicado no jornal A Folha Regional em 4 de janeiro de 2013.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Adeus, Olímpico Monumental


“Histórias, nossas histórias
Dias de luta, dias de glória.” – Charlie Brown Jr.

Quando nos despedimos de alguém ou alguma coisa pela qual temos alguma afeição é sempre um momento especial, De alegrias ou  tristezas, doce ou amargo sabor. Pois neles relembramos o que vivemos juntos ao longo de um tempo de vida.
Domingo agora, 02 de dezembro de 2012, á tarde estarei no “Fuxicão”, como faço costumeiramente toda semana para assistir ao Grêmio. Só que este será um dia especial, pois me despedirei, de longe, do Olímpico Monumental.
E o encerramento do templo gremista, após 58 anos de existência, por obra do destino se dará no maior clássico gaúcho, brasileiro e terrestre, um Gre-Nal. No solo onde os deuses me deixarem ver jogar Renato, Dener, Valdo, entre tantos outros craques gremistas.
As alegrias que senti naquele espaço foram muitas. Como em 81, no primeiro jogo final com o São Paulo, quando fomos campeões brasileiros. Ou aquele, atrás da goleira, com meus amigos Jorge Belé e o Karkeja, quando vimos o Cezar marcar o gol que nos deu a taça Libertadores da América. 
Também, alegre fiquei com o titulo da 1ª Copa do Brasil contra o Sport Recife em 89. E, quando de passeio por Porto alegre, curiosamente assisti três jogos do gauchão no mesmo dia (14, 16 e 18 horas) no ano de 94, com 247 pessoas no estádio e Felipão de técnico. 
Teve momentos especiais, como o jogo do maior público nele, 98 mil pessoas em 26/04/81, que junto comigo e o Mosca Bortoloti, vibrou com a derrota para a Ponte Preta por 1x0, pois o grêmio estava se classificando para final do brasileiro daquele ano. 
Ou aquele jogo de gauchão, que o centroavante era o Albeneir e fomos eu e o Tchem, na ensolarada tarde de domingo em 86 para o estádio. Uma festa de tarde com os gols do centrovante e a noite, no Chip’s Bar, tomando umas geladas com ele e tirando fotos de recordação. 
Lá, no Olímpico, senti o gosto amargo da derrota e a perda do titulo brasileiro de 82, para o Flamengo. Aceitei o fato tempos depois, pois me convenci que foi um dos três  melhores times que já vi jogar ao vivo e a cores na vida, treinado pelo Carpegiani e capitaneado pelo Zico.
Porém naquele espaço tive um doce momento. Único, inimaginável e fantástico. A única vez em que fui ao estádio para torcer contra o Grêmio. E ganhei, pois na noite de 25/09/91 lá estava o meu time do coração. o Tá-Gua, realizando um feito para sua historia. Aplicou 2x0 no Grêmio em pleno Olímpico. 
Ah! Olímpico Monumental, você vai deixar saudades. Serás imortal em minha mente e meu coração. Espero ver uma despedida digna, com muita garra e disposição como nos melhores momentos de tua existência.
De minha parte cantarei no domingo de longe, aqui em Getúlio Vargas, como se estivesse no estádio para o time que você abrigou por todos estes anos a seguinte estrofe: “Vamos, vamos, tricolor, hoje eu vim te apoiar, para te ver campeão, para te ver ganhar”. Até o fim contigo estarei.

Publicado no jornal A Folha Regional em 30 de novembro de 2012.

terça-feira, 12 de junho de 2012

O gênio, o Surfista e as Rotatórias da Cidade


“A fama é para os homens como os cabelos - cresce depois da morte, quando já lhe é de pouca serventia". - Albert Einstein”

Ser ou não ser um astro, eis uma delícia de pergunta que sempre se apresenta no palco da vida. A toda hora há redesco-bertas, novidades e gente procurando seu espaço. Um palco, o seu minuto de fama, tudo na intenção de ver sua estrela brilhar e na busca de um motivo para ser lembrado no futuro.  
 Mesmo aqueles que viveram na antiguidade, ou mais precisamente no século XVI, como o gênio Wiliam Shakeaspere, um dramaturgo inglês, que seguidamente se vê redescoberto e interpretado nos palcos do teatro. Apreciado com sua celebre frase: “Ser ou não ser eis a questão”, nem ele provavelmente imaginava que seu sucesso seria tão duradouro.
Ou então nos dias atuais, com as delícias do surfista Michel Teló, e seu hit momentâneo, “Ai se teu te pego”. Esta na crista da onda e sua música é cantada em muitas línguas (inglês, alemão, e tantas outras) mundo afora. Penso que terá pouca durabilidade e no final esta enorme onda acabará, mesmo, morrendo na praia. 
Pois aqui na terrinha, as rotatórias da cidade, é o palco adotado pelo Antonio Valdecir da Rosa. Misto de ator e cantor, ele usa o espaço para se apresentar diariamente. Conhecido por “Jiló”, ele encena acordes musicais na guitarra imaginária, e canta músicas de diferentes estilos musicais.   
Figura ímpar da cidade atende aos pedidos musicais dos transeuntes e motoristas e aproveita diariamente e deliciosamente o seu momento de astro. Mesmo que não alcance fama mundial, espero que se eternize na lembrança popular. Então, certamente, será coroado como o Rei das Rotatórias, o Michel Jiló getuliense.

Publicado no jornal A Folha Regional em 1º de junho de 2012.

segunda-feira, 5 de março de 2012

O Agradável Reencontro

“O tempo é muito lento para os que esperam, muito rápido para os que têm medo, muito longo para os que lamentam, muito curto para os que festejam, mas, para os que amam, o tempo é eterno.” Wiliam Shakespeare.
Meus escritos no jornal me proporcionam pelo segundo ano consecutivo, a convite do amigo Neivo, que eu passe uma semana de férias na praia de Capão Novo. Praia esta criada por um getuliense, o Sr. Elmar Wagner. Lá, a Adjori (Associação dos Jornais do Interior do RS) mantém um Centro de Cultura e Lazer.
Este local que conta com 19 apartamentos para 04 pessoas, piscinas, salão de festas, um CTG, cancha de bocha, garagens, visa proporcionar aos seus donos, funcionários e colaboradores um período de férias de uma semana, por módicos 380,00 reais por apartamento. 
Minhas filhas adoram aquele lugar e já deixaram claro que querem voltar na próxima temporada. Neste ano, foram conosco o restante da minha família por parte de mãe. Os meus tios Paulo e Heitor e as tias Nelci e Ana Laura. Fato que não havia ocorrido ao longo de toda minha existência e que foi muito prazeroso.
 Afora esta confraternização familiar, tive em Capão Novo um agradável reencontro.  Por muitos anos estive com uma venda nos olhos. Ela me cegou para a beleza do mar. Pois já dizia Dorival Caymmi que o mar quando quebra na praia é bonito, é bonito.
Deixei o tempo passar da infância à meia idade e, mesmo indo à praia, sequer tomava um bom banho no mar. Plantava na beira dela, comia algo, bebia uma caipira e observava alguma coisa sem nexo. No máximo colocava os pés na água para tirar uma foto de recordação.
Sequer percebia o quanto o mar é justo e democrata. Tem regras definidas e você deve se adaptar a elas. Não há dono do pedaço e quem chega primeiro na praia usufrui do espaço escolhido. Não existe diferença de cor, idade ou raça. E, basta se descuidar no ir e vir das ondas que sua vida está em perigo. 
Para não lamentar o tempo perdido nesta temporada na praia, e festejar este agradável reencontro com o mar, estou decidido a viajar mais seguido em direção a ele. Assim, desta forma, posso dizer ao mar que o tempo sempre será eterno para os que o amam.

Publicado no jornal A Folha Regional, em 2 de março de 2012.