Este blog é para postar os artigos que são publicados no jornal A Folha Regional, de Getúlio Vargas, de autoria de Paulo Dalacorte.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Um pouco de bem

"Fiz um pouco de bem; é a minha melhor obra." Voltaire, escritor e filósofo francês (1694-1778)

          AH! Reminiscências. Praxe de fim de ano. Fazer um balanço. Os positivos e negativos; os ganhos e perdas. Até para tocar a vida adiante. Enfim, no ano inteiro deve-se ter o espírito natalino, e a solidariedade um sinônimo do ser humano.

           Neste ano lembrei Voltaire. E diria que minha melhor obra não foi adquirida para a Coleção de Gravuras. Alias, foram muito poucas aquisições. A Coleção esta de bom tamanho, mas estagnada.
No entanto houve duas exposições: em Passo Fundo e Ijuí. E ao emprestar as obras da Coleção para que aquelas comunidades e suas vizinhanças apreciassem um pouco de arte e artistas renomados, acredito fiz um pouco de bem, para a região.

          Assumi como vereador por 23 dias, em setembro, depois de ficar suplente na última eleição. Cumpri com minhas obrigações, afinal era meu dever e estava remunerado para tanto.

          No curto espaço sugeri projetos, solicitei providências e informações ao Executivo Municipal. Busquei acolher ideias do povo para melhorar e humanizar a cidade. E parte do salário doei para Apae. Acredito fiz um pouco de bem,  para nossa comunidade.

          Houve perdas? Sim, e a minha principal foi de peso. Um processo de reeducação alimentar, ajuda da nutricionista e muita persistência para dizer não aos bares, churrascadas e parcerias de longa data.

           De modo geral, muitos ganhos. Mais qualidade de vida, retornei estudos numa especialização na área cultural, o lado espiritual e a Igreja Católica e o ingresso no mundo tecnológico com aquisição de "smartfone".  Enfim, acredito fiz um pouco de bem a mim mesmo.

          E você? Espero que possa concluir em seu balanço que um pouco do seu bem foi de alguma forma obra importante e útil na construção de um mundo melhor, ao longo deste ano. E preservadas nossas diferenças e objetivos, que venha um Feliz 2015 a todos.


Publicado no jornal A Folha Regional em 24 de dezembro de 2014.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Meu Primeiro Computador

“Eu temo o dia em que a tecnologia ultrapasse nossa interação humana, e o mundo terá uma geração de idiotas” Albert Einstein.

          Olá PC. Morava em Porto alegre, era jovem e cheio de sonhos. Estudava engenharia na PUC e estagiava no Correio do Povo. Desta forma pude conhecer na época seus semelhantes, que eram enormes (pré - históricos).

          Para teres uma idéia do tamanho deles só para a caixa de memória era necessário um salão de festas. Em residências imagino impossíveis de estar, pois o dono além de milionário deveria ter varias salas disponíveis para poder alocá-los.

         Eu fazia consertos nalgumas peças que pifavam. E estragar era fácil. Isto num passado nem tão distante, uns 30 anos atrás. Que deve estar registrado em arquivos e fotos. De lá para cá sua espécie diminuiu de tamanho e preço.

          Com isto seus semelhantes puderam se expandir, invadir os lares mundiais e brasileiros, até o meu. Disponibilizando informações de toda ordem (como nós) boas e más. Afinal o seu mundo é o da TI (tecnologia e informação).

 A aceleração da TI deixou você defasado. Você ficou velho e ultrapassado rapidamente (talvez eu tbm esteja). Necessita constantes atualizações, conseqüência deste mundo dinâmico e de sua memória lenta.

Durou comigo. Quase não deu consertos, apenas “ganhou” alguns vírus (gripes). Mesmo diferentes sou resistente igual a você (se dá para comparar). Relutei para lhe aposentar.

Enfim é provável que esteja fazendo um dos últimos textos aqui. Fico grato por me agüentar durante mais de década. Ligou-me ao mundo das noticias, das gravuras e dos meus amigos. Passou pelo Messenger, Orkut, e Facebook.

Colocou suas informações disponíveis para meu acesso. Foi companheiro de madrugadas mal dormidas. Esperava-me sempre no mesmo local. Muitas vezes tivemos o mate como companheiro. Inclusive agora enquanto faço este texto.

Armazenou minhas memórias, fotos e escritos....Do texto escolar ao simples “ola tudo bem”. Afinou e deu robustez a minha escrita, que dizem é dom (de poucos). E que precisa ser praticada, exercitada e disciplinada diariamente.

Pois escrever em seu teclado foi um prazer imensurável. Comparado a poucos prazeres na vida. Enfim é chegada a hora parceiro amigo. Ficará na minha historia e enquanto puder estará aqui num canto da casa mesmo sem utilidade.

Enfim esta sendo lentamente substituído por uma engenhoca móvel. Afinal a mobilidade urbana, a busca de soluções mais rápidas e com menos espaço são os novos desafios da geração atual, para a qual estou me rendendo.


Publicado no jornal A Folha Regional em 7 de novembro de 2014.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Ary Vidal e o Basquete Getuliense – Parte 2

“Cruxen, a história não conta como foi, mas sim quem foi” Ary Vidal, frase ao jogador do Corinthians, na final da Liga Brasileira de basquete (94).

Enfim chegou o ultimo dia dos JIRGS. Esperançosos, seguindo a rotina, foram de ônibus ao ginásio que era longe do centro da cidade. Na chegada direto para o vestiário, com sua mochila (tênis, calção e meia). Além disto, apenas uma velha bola de basquete e a sacola das camisas.

          Após se fardarem, e antes de iniciar aquecimento e prece, um jogador foi abrir a janela para fumar um cigarro. Para sua surpresa avistou a chegada defronte ao vestiário de um ônibus de dois andares. Naquela época usada apenas por empresas em viagens internacionais.
         
      Ah! Um susto apenas. Imaginou ser a delegação de Santana do Livramento. As suspeitas, porém, não se confirmaram. Começou o desembarque. O primeiro foi Ary Vidal, comandante da geração de Ouro de Oscar e Cia, campeão no Pan de 87.

          Ary que costumava dizer: -“Treinador é de cavalos. Eu sou técnico, aquele que domina o detalhe.” Pois foi ele que topou desbravar o basquete gaucho marginalizado no cenário nacional e levou a equipe do Corinthians de Santa Cruz, ao titulo inédito na Liga Nacional naquele ano de 94.

Vendo de quem se tratava e o que lhes esperava, chamou os integrantes da nossa seleção, que nem treinador possuía, para compartilhar da agonia. Começaram então a descer os jogadores, o menor com 2,20 metros, uns da seleção brasileira, outros americanos, enfim todos profissionais.

Uns minutos a mais e chegaram à quadra os carregadores de bolas da delegação. Eram 04 sacos enormes de viagem, e continham muito mais de 50 bolas para aquecer os atletas. E, logo a seguir, entraram em quadra os jogadores ainda com suas roupas de aquecimento.

Para aquecer as bolas eram alçadas pelos assistentes e os atletas subiam e enterravam-nas na cesta se revezando um após outro. Enquanto isto, em nosso vestiário os nossos jogadores se revezavam no buraco da fechadura com olhar atônito, imaginando o que os aguardava.

Era desumana tanta diferença, e a entrada em quadra seria apenas para pegar autógrafos dos ídolos. Esta foi, provavelmente, à conclusão que chegaram rapidamente nossos representantes. E, esta partida seria um motivo suficiente para entrar no Guiness, o livro dos recordes.

Afinal em cálculos matemáticos simples, eles marcariam a cada 10 segundos uma cesta, isto apenas de dois pontos. Com dois tempos de 20 minutos cada, uma projeção aproximada do placar seria naturalmente algo em torno de 250 x (0). No máximo a 02, isto se eles fizessem uma cesta para nós.

Fazer o que fazer para evitar tal disparidade? Eis que, enquanto os adversários se fardavam surge uma voz brilhante e diz: -“Vamos esquecer os autógrafos e sair de fininho”. Pois assim foi. Começaram a debandada, e para não serem notados ficou um para alcançar o material dos outros pela janela.

Não haviam previsto um ultimo detalhe. O que fazer com a bola velha, que era grande para passar na janela? O ultimo vivente deu um jeito. Furou-a com o canivete e escondeu atrás do vaso. Antes de se retirar deixou a luz ligada e a chave do lado de dentro, evitando suspeitas imediatas da fuga.

La fora uns já tinham tomado um táxi, e gastaram o resto da economia que tinham para pagar a corrida. E, o ônibus que passou buscá-los estranhou que os atletas não estavam mais no local. Acontece que ainda não sabiam do abandono e da fuga cinematográfica que eles tinham feito horas antes.

Mas ainda não havia terminado o martírio. Na manha seguinte noticia estampada na ZH dava conta do primeiro caso de abandono na historia do JIRGS. E, dizia que fora feita pela equipe de basquete que representava o Alto Uruguai. Noticia esta que ridicularizou tal atitude e os que dela participaram.

Claro Santa Cruz, representada pelo Corinthians, foi campeã estadual. Após nacional, também por W.O contra o Paraná. E, como dizia Ary Vidal, a historia não contará exatamente como aconteceu talvez algo próximo disto. Mas para estes atletas esta historia é real e um momento marcante na vida. Parabéns Chico, Babi, Dido, Mica e H.

Para nós, em 95, um novo campeonato municipal e após uma disputa com Erexim,onde vencemos e obtivemos a vaga para o JIRGS. Em virtude do abandono do ano anterior não foi possível participar.

Enfim, como diz o próprio Ary Vidal, a historia nunca contará precisamente como foi que aconteceu. Talvez seja algo próximo disto. Mas certamente para quem foi a Lajeado esta historia é real e um momento marcante na vida.

Publicado no jornal A Folha Regional em 1º de agosto de 2014.

Luciano do Valle e o Basquete Getuliense – Parte 1

“Não sou artista, animador, sou jornalista” Luciano do Valle.


            Morreu recentemente Luciano do Valle, um ícone do esporte brasileiro. Além de narrador esportivo, foi ele um promotor e empresário de todos os esportes. Fez da Band aos domingos nos anos 80/90 quando não existiam canais específicos de transmissões esportivas, o canal do esporte.

Com ele narrando se assistiam campeonatos de futebol (brasileiro, italiano, americano, feminino e máster). Introduziu desde a sinuca, o boxe e a formula Indy no Brasil, e deu destaque ao vôlei e o basquete, que conseguiram posições e títulos nunca alcançados até então.

Alçou a ídolos, Rui Chapéu (sinuca), Maguila (Boxe) entre outros mais. Fez um jogo de vôlei no Maracanã (Brasil x URSS). E foi dele os apelidos de Magic Paula e Rainha Hortência, para saudar a geração feminina campeã do mundo em 94, a ultima grande conquista do basquete nacional.

Talvez, sem saber, tenha sido um grande incentivador do basquete local. Porque naquele ano de 94, foi reativado um campeonato municipal de basquete. Tinham 06 times disputando a taça, e se equivaliam tecnicamente, e no geral com baixa pontuação para padrões profissionais.

O Betão (da Equimac), que não perdia jogo, conta que houve um placar de 2x1, ou algo parecido. E há outros que falam que num determinado jogo houve empate de 0x0, e a vitoria foi do time que conseguiu fazer o maior numero de arremessos no aro. Eu, até hoje custo a acreditar.

Enfim o certo é que o campeonato atraia publico, envolveu a comunidade e os atletas que eram trabalhadores de diversas áreas durante o dia, e á noite por esporte e lazer jogavam basquete. Eram, portanto, os artistas da bola de basquete e a atração para o publico presente.

Por ser o único município com campeonato de basquete na redondeza, naquele ano (94) surgiu à oportunidade de representar Alto Uruguai nos JIRGS em Lajeado. Aceito o convite, feita a seleção dos melhores jogadores, estava tudo preparado para a tão sonhada viagem.

Porém no embarque, iniciaram os contratempos. A maioria dos convocados não apareceu. O motivo, ou greve, era que não queriam ou não podiam pagar suas despesas. Sobraram três inscritos, e foi preciso de ultima hora inscrever outros dois, que seriam o técnico e preparador físico.

Com o problema inicial superado, o time já contava com 05 inscritos. Seriam 03 jogos em Lajeado, para postular à final dos JIRGS. A rotina nestes três dias seria sempre a mesma. Embarcariam no ônibus pela manha, seriam deixados no ginásio e a tarde o ônibus voltava buscá-los.


No jogo inicial a primeira derrota para o time de Montenegro pelo placar de (08x63). No segundo confronto com Porto Alegre, o placar já não estava mais tão elástico (12x60). Então já não havia mais chances de classificação. O terceiro e ultimo jogo seria apenas para cumprir tabela.

           Na noite anterior a este jogo aproveitaram para conhecer a cidade, os bares, conversar com atletas de outras delegações e entrar no espírito de integração proporcionado. Afinal apenas um compromisso na outra manha os separava da volta para nossa cidade.

Publicado no jornal A Folha Regional em 18 de julho de 2014.

terça-feira, 15 de julho de 2014

URSOS CAMARADAS - A Arte da Tolerância

“Há vitorias que exaltam, outras que corrompem; derrotas que matam, outras que despertam.” Antoine de Saint – Exupéry

         
Gostar da arte e do belo, de garimpar e pesquisar eventos ligados a cultura me deixa satisfeito. Muitas vezes até infeliz de não poder ver todas pela longevidade de nossa cidade aos grandes centros culturais.
           No Rio, no inicio de maio, inaugurou uma exposição nominada “Ursos Camaradas”- a Arte da Tolerância. Um dos eventos para marcar o ano da Alemanha no Brasil. Exposição que iniciou em 2002 em Berlim, e a partir de 2004 itinerou pelos 05 continentes até chegar ao Brasil.
         As 141 esculturas de 2 metros do animal símbolo de Berlim representam cada país reconhecido pela ONU, e foram pintados por artista de cada nação. Ao invés de mostrar seus carros, maquinas e tecnologia avançada para atrair a cobiça e competição, o objetivo da mostra é promover a integração cultural, a paz e a harmonia entre os povos.
          Tudo bem planejado e pensado, pois afinal neste ano com a Copa do Mundo no Brasil milhares de visitantes estavam aqui. Assim como li que os preparativos da Seleção Alemã foram cuidados nos mínimos detalhes. Chegaram ao País sem alardes, estrelas, soberbas, trabalhando o coletivo e a integração com o povo local e de respeito aos adversários.
          Como sede escolheram a Bahia. Clima quente, treino e muito treino. E, nas folgas, até comemoraram aniversário junto aos índios pataxós. Passada a Copa deixarão o CT que construíram para a comunidade local. Uma aula de fazer política externa sem demagogia e ostentação de poder econômico.
      Que simplicidade, que respeito às pessoas e que legado nos deixaram. Redimensionaram culturalmente a disputa esportiva para além do campo de futebol. Sem gastar bilhões, e ufanismo exarcebado angariaram a simpatia até de seus adversários.
        Oxalá, antes de morrer, possa fazer uma visita a seus Pais, conhecer sua terra e sua gente nobres Alemães.

Publicado no jornal A Folha Regional Online em 15 de julho de 2014.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Na Copa, desplugado

“Os loucos às vezes se curam, os imbecis nunca “– Oscar Wilde.

     Estamos iniciando a Copa do Mundo no Brasil. Imagino por alguns escritos meus, que os leitores sabem do quanto sou “louco” por futebol. Que torço pelo Tabajara (inativo há um bom tempo) e o Grêmio. E, acredite passo um bom tempo defronte a TV assistindo futebol, de qualquer País ou série. 
     Os “loucos” por futebol sabem que o melhor acontece de 04 em 04 anos, a Copa do Mundo.  Pois nesta época geralmente ajeito minha vida, isto desde a Copa de 70, ainda da TV P&B. Folgo nas horas dos jogos, e assisto as seleções de todos os Pais jogarem. Quando anunciaram a Copa no Brasil, há sete anos fiquei feliz.
     Havia tempo de sobra para planejar e agir de forma a ajeitar a casa (estádios, aeroportos, vias de acesso, etc..) e receber os turistas. Afinal, quem recebe visitas gosta de se mostrar bonito e com a casa organizada. Alem disto, Lula, anunciou na época que o investimento público seria 2% do total. Os outros 98% seriam da CBF, FIFA e iniciativa privadas.
     Enfim, contente por todos os fatores explanados após 11 Copas, imaginei ser esta diferente. Aquela na qual eu não seria um mero expectador, e sim o 12º jogador na torcida. E, junto com alguns amigos, estávamos programando comprar ingressos para assistir a Seleção jogar no Rio. Além de aproveitar para visitar nosso amigo Adriano Tefilli.
     Bem ao longo destes 07 anos de espera os fatos mudaram. Os políticos, a burocracia, as falsas promessas, a corrupção e o jeitinho brasileiro de deixar tudo para ultima hora continuam vigorando no Brasil. Não avançamos uma vírgula para mudar nossa imagem perante nós mesmos, nem falo das visitas que estarão presentes por aqui. Uma lastima.
     Lula declarou que brasileiro não precisa de metro, pode ir a pé a eventos. Pelé disse ser normal alguma morte na construção de estádios. Joana Havelange, membro do Comitê Organizador, declara que o que tinha pra ser roubado já foi, agora resta apenas curtir a Copa. Até Ricardo Teixeira, ex- Presidente da CBF e residente em Miami esta envolvido em propinas nestes recursos públicos faraônicos que estão sendo gastos na Copa . 
     Enfim se constata que estamos nas vésperas da Copa e os gastos públicos para fazê-la vão chegar a quase totalidade dos 100%, com valores superiores a 30 bilhões de reais. Das famosas promessas de legado de mobilidade urbana ficarão apenas 30% a 40% concluídas. E,  no final da Copa, veremos as inutilidades e desperdícios de dinheiro para realizá-la.
     Portanto, decidi que não vou me importar com a Copa. Ficarei desplugado, porque mesmo que seja louco por futebol, não sou imbecil. Mesmo se ganharmos, perdemos. Afinal o dinheiro esbanjado na Copa fará falta para saúde, educação, segurança e bem estar a todo nosso povo, não apenas a alguns afortunados que poderão desfrutar destas benesses da Copa.

Publicado no jornal A Folha Regional Online em 8 de julho de 2014.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

No Jornal

“Um editor de jornal é alguém que separa o joio do trigo- e publica o joio” – Adlai Stevenson
       Ter o tempo como obstáculo e produzir informações para obter resultado claro, de forma precisa e, principalmente imparcial, é provavelmente a meta de um jornal que tem o compromisso com seu leitor.
       Grandes jornais diários buscam dar informações de maior abrangência. Incluem notícias nacionais e internacionais, e diversos cadernos encartados com temas variados, entre eles carros, classificados, construção, viagens e muitos outros.
       A Folha Regional é um jornal de abrangência estrita e procura informar sobre assuntos locais. Quando em vez publica notícias estaduais, nacionais ou até internacionais, sempre que há pessoas ou fatos relacionados à nossa comunidade.
      Depois de algum tempo escrevendo crônicas para o jornal “A Folha Regional” sempre tive uma grande curiosidade. Queria saber como é escrever um texto na própria sede do jornal, em sua redação e para ser publicado na mesma semana.
      Decidi, então, na tarde de terça-feira (15/10/13) entre 16 e 18 horas, ir à sede do jornal. Além de acompanhar mais atentamente a rotina do pessoal trabalhando para fechar uma edição semanal, faria minha crônica “in loco” neste tempo.
      Pois durante meu escrito o silêncio imperava. Barulho, apenas do digitar no teclado. Cada um dos integrantes (Anissara, Neivo, Querulin e Thomás) concentrados fazendo sua parte na confecção de mais uma edição, com olhar fixo no computador.
      O diálogo entre eles neste ínterim foi apenas o essencial, para separar o joio do trigo, buscando a melhor maneira de divulgar notícias e informar seus leitores sobre os fatos que fazem a história da região.
       Paradas apenas para atender pessoalmente clientes, no toque do telefone ou quando chega e-mail de importância que solicitam anúncios ou para relatar mais alguma notícia.
Agora mesmo, enquanto escrevo, chegou um anúncio institucional sobre investimentos no RS do Governo Federal. Anúncios, que para seu conhecimento leitor é a grande fonte de renda para manter o jornal ativo.   
       E a pauta, enquanto eu escrevia esta crônica, na redação era sobre o “Outubro Rosa”, e a programação que vem sendo realizada nos municípios da Região (Estação, Getúlio Vargas e Sertão) sobre a campanha preventiva da saúde da mulher.
       Confesso foi uma experiência um tanto diferente de escrever sentado longe do meu computador. O objetivo era não parar de escrever até concluir a Crônica “ “No Jornal”, e retratar a você leitor, um pouco desta rotina diária no nosso jornal.
       Enfim, texto terminado, informação prestada e os parágrafos de uma ou outra máquina em que estas linhas foram digitadas serão ajeitados pelo Thomás ou pela Querulin. Que depois serão diagramadas na página para sair na edição impressa do fim de semana.

Publicado no jornal A Folha Regional em 25 de outubro de 2013.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Valdirene e as fãs Getulienses

“Nunca existiu uma grande inteligência sem uma veia de loucura.” Aristóteles

Fazia anos que não via novela. Porém, levado pelas mulheres da casa voltei a assistir “Amor à vida”. Acabei me amarrando, e sempre que posso olho a Valdirene, “a inteligência pura”. Personagem divertida, tudo que fala ou faz acaba sendo cômico.
Dias atrás estive em João Pessoa, junto com Lore (esposa), Siane (prima) e Cida (amiga). Uma visita para o primo Ebert, irmão da Siane. E num único dia não vi a novela. Fomos ao Rio Paraíba, para ver o Por do Sol do Jacaré.
Mesmo assim lembrei a Valdirene e suas trapalhadas. Naquele dia as fãs getulienses, Lore, Siane e Cida encarnaram seu espírito. Resolveram preparar um almoço para o Ebert. Unir a comida do sul e do nordeste. Fazer uma polenta com carne de sol ao molho.
 As inteligências puras dispensaram Jô, empregada da casa, para auxiliar nas compras. No mercado mudarem o cardápio. A carne estava feia, então compraram carne de porco para assar e queriam mais algo para complementar.
Lore sugeriu pegarem guisado para fazer em molho. Cida aceitou e foi logo pedindo ao açougueiro. “Moço este guisado é de primeira ou segunda”. O açougueiro respondeu que guisado era carne picada. E, sem saber o que responder disse que aquilo era carne moída. .
Cida disse para ele embalar 500 gramas da moída, mas Siane achou pouco. Foi logo dizendo: “embale um kg”. Afinal, com a sobra, fariam uma lasanha no dia seguinte. Felizes deixaram as compras e incumbiram a Jô para o preparo, saindo para a praia.
No almoço, exceção do Ebert, todos se serviram. Ele perguntou se era carne moída e tinham visto moer ela. Responderam que o açougueiro disse ter moído pouco antes de elas pegarem. Cida disse inclusive a Jô nunca ter comido guisado tão maravilhoso.
Para as cozinheiras de plantão ressalto que o guisado era um pouco mais escuro, de uma carne mais rala e com um gosto forte. Tive a sensação que ele rasgava na goela. Lore inclusive chegou a se engasgar no meio da refeição precisando sair da mesa.
 Enfim no meio da tarde a Cida começou a se sentir um pouco ruim do estomago. Quando assistíamos o por do sol do jacaré, Ebert disse que provavelmente era porque não estávamos acostumados a comer carne de jegue.
Desconfiadas da informação, as inteligências puras, recordaram de pequenos detalhes. Há tempos não me diverti tanto como naquela tarde/noite, imaginando a cena.
Imaginem o que o açougueiro poderia ter pensado das loucas ao pedir se a carne de jegue era de primeira ou segunda. E a Jô, que misturava a carne moída na polenta para comer e fechava os olhos. E, que nem para seu cachorro quis levar a sobra.
Pois, ainda não satisfeitas com informações do Ebert, na manhã seguinte com a chegada de Jô perguntaram a ela se era mesmo carne de jegue. Ela não só confirmou, mas falou que não sabia se era de macho ou fêmea. Afinal tinha uma grande diferença.
Se fosse fêmea o cheiro saia logo, mas se era macho ficaria o cheiro na pele por uns seis meses ou mais. Siane chegou a arregalar os olhos. E eu, depois de ouvir fico todo dia a me cheirar. Estou certo que a carne moída era  mesmo de um macho.
Publicado no jornal A Folha Regional em 19e20 de setembro de 2013.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

A Turma dos FIÉIS

Quando residia em Porto Alegre, aproveitava as férias para vir à minha terra natal. E, enquanto aqui permanecia tinha um encontro marcado nas noites de Sexta: a turma dos Fiéis.
Seus seguidores batiam o ponto com qualquer tempo. Apreciadores de um jogo de cartas, dominó ou um simples bate papo. Claro, sempre regados a um maravilhoso churrasco, um vinho ou uma cerveja gelada.
No início a Turma tinha como local de encontro o Galpão do Lebrão. Com o crescimento dela houve a transferência para a sede do Cobra Preta. Só posteriormente ocorreu a mudança para o local onde comecei a freqüentar.
Fui levado à primeira vez pelo meu tio Paulo Filippon. O local era um porão nos fundos da casa, que depois pegou fogo, onde atualmente se localiza a Imobiliária Forlin.
Um dos fundadores do grupo, junto com os irmãos Airton e Arlei Karpinski, o saudoso Juruna açougueiro do mercado, era o locador da casa nos fundos deste terreno e provavelmente quem conseguiu o local emprestado.
Todos os encontros tinham os mesmos organizadores: o Milton Giareta e o Otávio Sanzanowscki. Funcionários, a época, do Escritório Contábil Oleksinski. E, ligavam sempre aos assíduos para confirmar presença.
Com meu retorno em definitivo para Getulio Vargas, me efetivei semanalmente. Então houve o incêndio e, ficamos temporariamente sem local e também uma única Sexta feira sem o tradicional encontro.
Aceitamos a oferta do então Capitão da Brigada Militar, o Chico Liberal, também companheiro dos Fiéis. Fomos provisoriamente para o galpão de festas na sede daquela entidade.
Lá permanecemos mais de ano, e neste tempo houve muitas reuniões para adquirir um terreno para sede própria. O Andretta havia até se prontificado a doar brita e concreto para a futura obra.
Não fechou e talvez premonição que não iria durar muito tempo. Prazo esgotado na Brigada, mudamos para a Oficina do Gilberto Müller. Nos acolheu feliz da vida e na inauguração resolveu assar um  matambre recheado.
Foi um sucesso, mas não na primeira volta do espeto. Que aconteceu  perto das dez da noite. Com a euforia da casa nova esqueceu-se de colocar mais lenha no fogo. O matambre ficou literalmente cru.
Quem teve um pouco de paciência jantou, à meia noite obviamente. Talvez tenha sido a última noite que estivemos com a casa cheia,com todos freqüentadores dos mais antigos aos mais novos.
Alguns encontros a mais e subitamente perdemos um idealizador e organizador. O querido amigo, compadre e companheiro Milton Giareta. E, sem ele as noites de Sexta-Feira ficaram mais vazias e sem graça.
 Os fiéis, até tentaram seguir adiante durante algumas sextas-feiras, porém a tristeza e a saudades do Milton fizeram com que fossemos nos dispersando lentamente até que se extinguiram os encontros.
Na lembrança as boas noitadas de uma turma que durou 22 anos. E, logo adiante quando nos encontrarmos com o Milton estaremos retomando a Turma dos Fiéis, que ele agora comanda nas noites de Sexta-Feira lá em cima.


Publicado no jornal A Folha Regional em 30 de agosto de 2013.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

O Doador e suas constatações

"Para ver muita coisa é preciso despregar os olhos de si mesmo". Friedrich Nietzsche

Com o passar do tempo vamos constatando algumas coisas na vida. A principal delas é que as mudanças são visíveis, e que gostando ou não delas temos que nos adaptar ao novo.

Não sei mensurar se para melhor, isto cabe a cada um, no seu conceito de vida. Porém, elas acontecem. No mundo, na sua volta, na rotina e no proprio corpo.

Pasme, o Papa já não necessita morrer para ser trocado No Brasil, não se precisa mais de sindicatos para ter greves. Até a Praça Flores da Cunha esta modificada e tem pista de skate nela.

Meu habito da janta foi abolido, pois sobrecarrega meu estomago. O exercicio fisico esta mais moderado pois do contrario ataca minha bursite. E quem diria meus cabelos ficam raros e brancos dia após dia.

Pois, lembrei que há alguns anos lançaram a campanha para doar orgãos. Desde lá digo aos amigos que meu projeto é doar os olhos. Uso aquele ditado que diz que: "vou morrer e nem sei se verei Deus".

Entao, desta forma ao menos posso ver todas mudanças mundanas, sem minha presença fisica. E, confesso, que se encontrar Deus acharei um jeito de pedir a Ele que não me deixe cego.

Pois, agora fazendo um check-up do meio seculo de vida, começo a concluir que para chegar a tão sonhada velhice, meus orgãos estarão tão comprometidos que não servirão para niguém.

Inicialmente constatei que tenho excesso de ferro no sangue. Que ao tira-lo, não posso doar para salvar vidas, e ele deve ir para o lixo. Não serve sequer para "morcilha"(risos).

Também que meus olhos, aqueles que imagino doar, estão cansados e precisam de auxilio de lentes para ler. Mas passados mais uns anos, é provavel que com elas não enxerguem nada.

Isto que estou na fase inicial do meu check-up. Falta muito para todo meu corpo ser mapeado por completo. Do jeito que está andado alguns outros problemas ainda serão detectados.

Talvez mais meia duzia de médicos e lá vem um veredito: transplante. E então, haverá partes do meu corpo sendo substituidos por outros de borracha, plastico ou de algum animal irracional.

E, finalmente a mais obvia de todas constatações. De doador, logo, logo, se avançar na idade mudarei para receptor de orgãos. Para continuar, ainda enquanto vivo, vendo as transformações a minha volta.
 
Publicado no jornal A Folha Regional em 23 de agosto de 2013.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Bolsos Vazios

“Que continuemos a nos omitir da política é tudo o que os malfeitores da vida pública mais querem.” - Bertold Brecht
 Esta crônica já tinha sido deletada. Chegamos a um acordo, eu e a redação da Folha, que pela demora ela não mais seria publicada. Estava há dois meses na pauta e faltava espaço, indo para a próxima edição. 
Após todas as manifestações ocorridas no Brasil, acho que vale a publicação. Pode de alguma forma ajudar a melhorar um pouco nossa confiança na política. Segue, portanto, abaixo o texto original. 
Não gosto de usar, em crônicas, títulos de matérias veiculadas em outros jornais. Abro nesta uma exceção. Demorou a ser publicada, mas acredito ser relevante e importante uma reflexão sobre o assunto. 
Bolsos Vazios foi matéria veiculada na ZH em 28/02, p.10, assinada por Elton Scolla. Relata projeto de lei que tramita no Senado Federal e visa abolir a remuneração mensal dos vereadores.
 Esta lei, se aprovada valeria para municípios que tenham menos de 50 mil habitantes, ou seja, aproximadamente 3650 deles no Brasil. O que, em termos percentuais representa 80% das cidades brasileiras. 
Ao ler a matéria pensei na minha pequena cidade, Getúlio Vargas. Aqui, a Câmara de Vereadores, se reúne toda semana. São nove vereadores e cada um recebe aproximadamente R$ 2.000,00 reais/mês.
Dirão alguns ou muitos que os Vereadores têm enorme responsabilidade. Precisam basicamente analisar e aprovar, ou não, as contas do executivo. E, enviar projetos de leis para ajudar a comunidade. Que isto, num somatório, consome tempo e dedicação.
Ressalto, porém, que no quesito tempo e dedicação para o bem da comunidade cabe uma pequena comparação com outras entidades, sociedades e clubes. Aquelas que de alguma forma são tão úteis e  importantes quanto os Vereadores.
Cito algumas para exemplificar: o Cededica, Condica, ACCIAS, CDL, CTGs, o TCG, AABB, Rotary, Lions, Lar da Menina, Lar dos Idosos, APAE, Agepran, Centros Comunitários de Bairros (Santo André, Navegantes, etc..), e os do interior.
Bem provável que sempre há algum familiar ou conhecido seu numa destas entidades. E no mínimo 5 pessoas envolvidas em reuniões semanais, quinzenais ou mensais. Número, que é número muito superior se houver algum evento ou festividade.
Salvo algumas exceções, nunca há benefício econômico para um ou outro. São trabalhos gratuitos visando o bem comum e para promover o crescimento de cunho social, cultural, esportivo e econômico da localidade.
Então, se aprovado o projeto, suponho haverá uma economia aos cofres públicos. Também uma justa equiparação ao trabalho prestado por tantos outros cidadãos em prol do bem comum, e certamente um retorno ao tempo que o vereador não era remunerado pela sua boa vontade em servir ao povo.

Publicado no jornal A Folha Regional em 19 de julho de 2013.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Um gigante em movimento

“Palavra puxa palavra, uma ideia traz outra, e assim se faz um livro, um governo, ou uma revolução, alguns dizem que assim é que a natureza compôs as suas espécies. - Machado Assis”
Nosso hino diz que: “Verás que um filho teu não foge a luta”. Pois, esta semana, a juventude brasileira deu uma  brava demonstração de virtuosismo. Afinal o gigante estava deitado e adormecido em berço esplendido.
Lembrei das “Diretas Já”, em 84, que de bandeira em punho fui pra Rua, em Porto Alegre. Ah! Jovens, quanto poder há nas suas reivindicações. E quanto anseio de um futuro melhor para si e as gerações vindouras.
E são vocês que mostraram a sua cara e sua força para muito além das redes sociais. Vocês que tem o poder de fazer revoluções. Sairam de suas cadeiras e da net. Ousaram e, de bandeira na mão e rosto pintado, foram aos milhares para as ruas do País. 
Enfim o Gigante acordou. Inicialmente manifestaram seu descontentamento contra o aumento das tarifas do transporte público. Mas além disto, um recado aos governantes. Que nosso dinheiro precisa ser bem aplicado; na saúde, educação, segurança e infra-estrutura.
Que Basta e chega deste “jeitinho brasileiro”, da corrupção, da espera por promessas não cumpridas. Que deixaram de ser “cordeiros”. Perderam a paciência com o aumento dos impostos, da passagem, da impunidade a classe política, do “Mensalão”. e da falencia moral a que estamos submetidos. 
Expuseram ao mundo, a falencia moral a que todos estamos submetidos. Que precisa mais, muito mais, que o evento da Copa para satisfazer nossas necessidades. Um recado simples foi dado, e só um governo cego não entenderá a mensagem. 
O Gigante continua se movimentando diariamente, em todo Brasil. E aqui em Getúlio Vargas haverá também uma manifestação pacifica de rua. Vou com as minhas filhas prestigiar o evento e a nova geração das redes sociais.  
Avante meus jovens. Cara, coração e coragem. Mostrem a sua força e garra na construção de um País mais digno. Tenho a convicção que depois de todas estas manifestações teremos, todos nós brasileiros, perspectivas de um futuro melhor. Até terça a noite no calçadão, juventude getuliense.

Publicado no jornal A Folha Regional em 21 de junho de 2013.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Capão Novo, com toque getuliense


“Você pode sonhar, criar, desenhar e construir o lugar mais maravilhoso do mundo... Mas é necessário ter pessoas para transformar seu sonho em realidade...” Walt Disney
Há alguns anos que vou a Capão Novo, distrito de Capão da Canoa, nas  férias. Foi à primeira praia planejada do RS, onde praticamente não há terrenos baldios. Tenho o mesmo local de parada, a ADJORI, na Rua das Andorinhas. E, frequento o mesmo quiosque na beira da praia. Pode parecer rotina da qual costumamos esquecer neste período, mas naquele local me sinto em casa. 
São umas vinte quadras em direção a praia e no sentido horizontal umas quinze quadras. As ruas têm nomes de flores e pássaros. Com prédios nas laterais e casas conjugadas no meio. No centro de tudo, onde passa  a Av. Paraguassú instalou-se o comércio. Lojas, mercado, farmácia, posto policial, bares e restaurantes, enfim uma boa prestação de serviços para o bem estar da população.  
E, para completar tem um toque getuliense. O empreendedor deste projeto, o Sr. Elmar Wagner, é natural de Getúlio Vargas. Sua empresa atual, a Wagnerpar, que se denomina apaixonada pela praia, tem no currículo além de Capão Novo, os condomínios residências Xangri-la Villas Resort, Atlântida Lagos Park, Condado de Capão, Bosques de Atlântida, Riviera Xangri-la, Enseada lagos de Xangri-la e mais recentemente o Costa Serena.
Por todo este curriculo de sucesso, o Seu Wagner como é conhecido em Capão Novo é admirado pelos seus habitantes. E não seria diferente com o Alemão, o dono do quiosque que frequento na praia, defronte ao posto 61. Entre papos e cervejas, o alemão falou que conhece pessoalmente o seu Wagner. Que graças a ele e suas viagens houveram grandes avanços para Capão Novo.
 Sem falar nas tantas novidades arquitetônicas, contou de outras duas espécies que  haviam sido introduzidas a Capão Novo pelas mãos dele. Uma delas apontou do seu quiosque, para uma arvore de nome Casuarina, que ele trouxe da Australia. Semelhante ao Pinus é utilizada de abrigo junto à costa. Extremamente tolerante a ventos e efeitos do mar ela ajuda na estabilização das dunas.
Pois a outra, segundo o alemão, é o Pardal. Disse que corre boatos que o Seu Wagner trouxe da serra gaucha. Sim senhores aquela peste urbana, que tem sua origem no oriente médio e trazido para o Brasil por volta de 1900, proveniente de Portugal, hoje é comum em todos os países do mundo. E que, segundo os gringos mais devotos, nem para uma boa passarinhada serve. 
É claro que contestei o Alemão de imediato, sobre esta sua informação.  Nem em sonho, mesmo que tivesse este poder, disse a ele que o seu Wagner não faria tamanha bobagem. Porque após criar tão magnífico espaço de lazer ele não espalharia pela praia esta peste invasora, que prejudica a alimentação e reprodução de outras espécies.  
Certamente se sonhasse que este boato do pardal ganharia forma na comunidade local, imagino que o seu Wagner ao desenhar e construir Capão Novo iria colocar no entorno e acima da sua criação arames, similar a uma enorme gaiola. Onde apenas entrassem pessoas, mantimentos, sol, chuva, flores. Pardais ao invés de estarem dentro ficariam do lado de fora, invadindo espaços menos nobres. 

Publicado no jornal A Folha Regional em 22 de fevereiro de 2013.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Santa Maria, Rogai por nós


“Em cada despedida existe a imagem da morte. George Eliot”
Ultimo domingo de janeiro com manha ensolarada estava eu iniciando os preparativos do churrasco, e com as malas prontas para uma semana de férias na praia. Tudo em seus conformes até que a vizinha nos falou sobre o terrível incêndio ocorrido na madrugada de sábado na boate Kiss, na cidade de Santa Maria.
 Prontamente liguei a TV, acessei a net e as noticias já relatavam a morte de mais de duzentos jovens carbonizados ou asfixiados. A festa nominada “Agromerados” acabou sendo um aglomerado de jovens vitimas do incêndio. Cenas comoventes e chocantes, que certamente ficarão marcadas para sempre. 
Cito apenas uma, das muitas historias que marcarão em minha memória. Lembro o pai de uma vitima, que após reconhecer o corpo da filha no Ginásio Municipal, relatou chorando que o que havia visto era similar as imagens mostradas nos campos de concentração. Um amontoado de corpos, uma carnificina do século XXI. 
Passadas alguns dias do acidente, começam a ser esclarecidos muito fatos que culminaram com esta tragédia. A grosso modo existia um local superlotado, uma única saída de emergência, isolamento acústico inadequado e uso de artifícios pirotécnicos em local fechado, entre outras irregularidades que vem aos poucos sendo apontadas.
Esperemos, pois, o decorrer do inquérito policial e posteriormente a ação judicial. Que as autoridades cumpram o seu dever e responsabilizem os culpados. Ao menos desta forma se fará um pouco de justiça para aplacar a dor da perda de centenas de jovens.
Afinal, perdemos um pouco de nosso futuro como País. Pois estes jovens de todas as regiões do Brasil perderam a vida nesta tragédia. A maior parte deles fazendo enormes sacrifícios para realizar os sonhos de um futuro melhor para si e seus familiares. 
Nossa querência esta de luto, nesta que é considerada a maior tragédia no Rio Grande do Sul. As jovens vitimas que descansem em paz. Independente de religião ou crença oremos a Deus que abençoe a todos familiares e amigos que foram surpreendidos pelo trágico acontecimento. Enfim, a Santa Maria, rogai por nós.

Publicado no jornal A Folha Regional em 8 de fevereiro de 2013.

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

O Futuro da Coleção de Gravuras - Parte Final



O futuro pertence àqueles que acreditam na beleza de seus sonhos. - Eleanor Roosevelt
No início apenas a vontade, a paixão e o sonho de seu dono. Hoje, passados mais de uma década, uma realidade viva e um bom caminho andado.  Anualmente a Coleção acrescenta em seu acervo novas obras, algumas de importantes Coleções Brasileiras. Amanhã talvez se torne consagrada e referência na arte gaúcha.
Porém, ao falar de futuro, é necessário um bom planejamento.  Difícil acreditar que algo seja promissor sem planos estratégicos. Estar atento e informado sobre o mercado de arte e ter contatos que acrescentem ideias na qualificação da Coleção é fundamental. E, também, buscar criar sucessor(a) ou formas de mantê-la futuramente.
Agora imaginem a Coleção como um cidadão brasileiro, ou uma empresa. Ela também sonha em ter sua própria morada. E já esta se concretizando esta possibilidade. Há um terreno definido, um projeto do arquiteto paulista Mario Figueroa, amigo e também colecionador de arte.
Notem, portanto, que a Coleção de Gravuras não é mais uma vontade e gosto pessoal do dono. Ela chegou à adolescência e quer interagir com sua cidade e o mundo. Afinal sua missão é exibir seu acervo, na sua casa e a todos os espaços destinados a divulgação da arte que possam estar interessados em admirar a arte gaúcha em gravura.
Bem se realizados todos estes planos talvez a cidade de Getúlio Vargas, terra natal da Coleção, seja incluída na rota de alguns bons eventos culturais do mundo das artes. Se depender do sonho do dono e dos colaboradores da Coleção a real concretização do futuro esta próxima. Aguardemos, pois os próximos capítulos.

Publicado no jornal A Folha Regional em 18 de janeiro de 2013.


quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

O caminho da Coleção de Gravuras - Parte II


Covarde é aquele que não abre novos caminhos na vida, nem emprega as suas forças para enfrentar os obstáculos. - Autor Desconhecido
Durante o caminho na montagem da Coleção, surgem colaboradores que a fazem ultrapassarem os limites de nosso município. Individual ou coletivamente ajudam a organizar, a ampliar e a divulgar o seu acervo.
 Colabora, desde o início, Hugo Gusmão, diretor do Museu do Trabalho de Porto Alegre, repassando conhecimentos técnicos sobre gravuras. Depois, chegaram Mônica e George Kornis, casal carioca, com 35 anos de colecionismo, possuidores da maior coleção de gravuras do país. Foi deles a ideia de tornar a Coleção especializada na gravura gaúcha. 
Após, conheci Rubem Grilo, artista e curador de exposições.  Grande colaborador e divulgador da Coleção. Através dele parte do acervo foi exposto na mais importante mostra de gravuras realizada no Sul.  O evento denominou-se “Impressões – Panorama da Gravura Brasileira”, e se realizou no Santander Cultural em POA.
 Também importante a professora Roseli Pretto. Através dela, no ano de 2002, o acervo da Coleção foi exposto pela primeira vez no MAVRS em Passo Fundo. Pois, de lá até o momento foram realizadas oito mostras percorrendo cidades como Passo Fundo, Porto Alegre, Pelotas, Bagé, Erechim. Em Getúlio Vargas ocorreu, no ano de 2004, na Biblioteca Pública onde compareceram mais de seiscentas pessoas. 
Na mostra “Rubem Grilo na Coleção Paulo Dalacorte” realizada em Passo Fundo no MAVRS, os colaboradores Rubem Grilo e George Kornis compareceram pessoalmente, quando conheceram Getúlio Vargas. No texto de abertura para esta mostra George Kornis escreveu:
“Qual é o caminho!
Qual é o caminho que liga Passo Fundo ao Rio de Janeiro? Qual é o caminho! Não apenas chão – que conduz as magníficas gravuras de Rubem Grilo até a sala de exposição do Museu de Artes Visuais Ruth Schneider em Passo Fundo? Esse caminho começa no Rio de Janeiro, local onde Rubem Grilo as cria, e, mais precisamente, a partir do sólido vinculo de amizade existente entre ele e eu. Como assim?É de fato um vinculo entre um artista plástico e um colecionador de gravuras e estudioso de artes, ambos do Rio de Janeiro, o elemento que gerou esta exposição? Na verdade não foi apenas esse fato, pois o caminho de ligação que estamos reconstruindo passa por Getúlio Vargas no Rio Grande do Sul. O que!!???!! Sim, Getúlio Vargas, pois lá que mora Paulo Dalacorte. Quem? Paulo Dalacorte, um colecionador de gravuras, e amigo meu, que se torna também amigo e admirador da obra de Rubem Grilo – hoje reconhecidamente o maior xilogravador do Brasil. E daí? A coleção Dalacorte possui em seu acervo um conjunto de obras de Rubem Grilo, e, com base nesse fato, surge a possibilidade de propor aos dirigentes do Museu de Artes Visuais Ruth Schneider realizar em Passo Fundo uma mostra de um padrão de qualidade estética que, de outro modo, tangenciaria o impossível. Proposta aceita, buscamos Dalacorte, Grilo e eu traçar caminhos que ligam mais do que cidades, pessoas. Sim, pessoas! Agora não apenas três, mas muito mais. Muito mais mesmo! Sejam bem-vindos ao mundo dos criadores de caminhos. George Kornis - Rio  de Janeiro – março 2004.
Portanto, o caminho traçado pela Coleção Paulo Dalacorte, ao longo deste período percorreu chão, levando não só uma seleção de gravuras do seu acervo, mas o nome da nossa cidade. Com certeza ampliou seus horizontes trazendo na bagagem gravuras, amigos e criando possibilidades até então inimagináveis. 

Publicado no Jornal A Folha Regional em 11 de janeiro de 2013.

O início da coleção de gravuras - Parte I


Por vezes a curiosidade abre novos horizontes, quando não, acende a chama do entusiasmo para procurá-los. - Textos Judaicos
A partir do momento que criei a necessidade, pela vontade e curiosidade de adquirir algumas obras de arte e decorar as paredes da minha residência, nasceu também, a ideia de formar um pequeno acervo de artes.
Pois o acervo da Coleção Paulo Dalacorte, ainda em formação, é o resultado do trabalho que se tem para reunir um conjunto de objetos da mesma natureza, no caso a gravura. Às vezes dura certo tempo na existência do colecionador, muitas vezes anos, outras por toda a vida. Portanto para se entender o sinônimo de colecionar é, sobretudo, aprender.
 Feitas as primeiras aquisições num consorcio de gravuras e gostando das obras de arte que recebi, era primordial e necessário aprofundar os conhecimentos sobre a gravura. A origem, as técnicas utilizadas, artistas que usaram a gravura como forma de expressão, enfim o que estivesse relacionado sobre o tema.
 Resumo, abreviadamente, ao leitor este “bicho” chamado gravura. Surgiu na China há dois mil anos atrás. Inicialmente usado para imprimir cartas de baralhos. Com o tempo foi dada outras utilidades como estampar livros e reproduzir imagens. Só no século XX, com a chegada da produção em série e o surgimento da fotografia é que foi mais difundida como obra de arte.
De um modo geral, chama-se “gravura” o múltiplo de uma obra de arte, reproduzida a partir de uma matriz. Trata-se de uma reprodução “numerada e assinada uma a uma”, compondo desta forma uma edição restrita de cópias. Existem vários tipos de gravura, ou, técnicas distintas de reproduzir uma obra. As mais utilizadas são: a gravura em metal, a litografia (na pedra), a xilografia (na madeira) e a serigrafia.
Desde 98 dedico um tempo diário para a coleção de gravura. E, especificamente para a gravura gaúcha e os artistas que nasceram ou adotaram nossa terra para viver.  O objetivo é ao longo do tempo juntar um número de obras que deem ao publico um panorama da evolução da arte gaúcha através da gravura.

Publicado no jornal A Folha Regional em 4 de janeiro de 2013.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Adeus, Olímpico Monumental


“Histórias, nossas histórias
Dias de luta, dias de glória.” – Charlie Brown Jr.

Quando nos despedimos de alguém ou alguma coisa pela qual temos alguma afeição é sempre um momento especial, De alegrias ou  tristezas, doce ou amargo sabor. Pois neles relembramos o que vivemos juntos ao longo de um tempo de vida.
Domingo agora, 02 de dezembro de 2012, á tarde estarei no “Fuxicão”, como faço costumeiramente toda semana para assistir ao Grêmio. Só que este será um dia especial, pois me despedirei, de longe, do Olímpico Monumental.
E o encerramento do templo gremista, após 58 anos de existência, por obra do destino se dará no maior clássico gaúcho, brasileiro e terrestre, um Gre-Nal. No solo onde os deuses me deixarem ver jogar Renato, Dener, Valdo, entre tantos outros craques gremistas.
As alegrias que senti naquele espaço foram muitas. Como em 81, no primeiro jogo final com o São Paulo, quando fomos campeões brasileiros. Ou aquele, atrás da goleira, com meus amigos Jorge Belé e o Karkeja, quando vimos o Cezar marcar o gol que nos deu a taça Libertadores da América. 
Também, alegre fiquei com o titulo da 1ª Copa do Brasil contra o Sport Recife em 89. E, quando de passeio por Porto alegre, curiosamente assisti três jogos do gauchão no mesmo dia (14, 16 e 18 horas) no ano de 94, com 247 pessoas no estádio e Felipão de técnico. 
Teve momentos especiais, como o jogo do maior público nele, 98 mil pessoas em 26/04/81, que junto comigo e o Mosca Bortoloti, vibrou com a derrota para a Ponte Preta por 1x0, pois o grêmio estava se classificando para final do brasileiro daquele ano. 
Ou aquele jogo de gauchão, que o centroavante era o Albeneir e fomos eu e o Tchem, na ensolarada tarde de domingo em 86 para o estádio. Uma festa de tarde com os gols do centrovante e a noite, no Chip’s Bar, tomando umas geladas com ele e tirando fotos de recordação. 
Lá, no Olímpico, senti o gosto amargo da derrota e a perda do titulo brasileiro de 82, para o Flamengo. Aceitei o fato tempos depois, pois me convenci que foi um dos três  melhores times que já vi jogar ao vivo e a cores na vida, treinado pelo Carpegiani e capitaneado pelo Zico.
Porém naquele espaço tive um doce momento. Único, inimaginável e fantástico. A única vez em que fui ao estádio para torcer contra o Grêmio. E ganhei, pois na noite de 25/09/91 lá estava o meu time do coração. o Tá-Gua, realizando um feito para sua historia. Aplicou 2x0 no Grêmio em pleno Olímpico. 
Ah! Olímpico Monumental, você vai deixar saudades. Serás imortal em minha mente e meu coração. Espero ver uma despedida digna, com muita garra e disposição como nos melhores momentos de tua existência.
De minha parte cantarei no domingo de longe, aqui em Getúlio Vargas, como se estivesse no estádio para o time que você abrigou por todos estes anos a seguinte estrofe: “Vamos, vamos, tricolor, hoje eu vim te apoiar, para te ver campeão, para te ver ganhar”. Até o fim contigo estarei.

Publicado no jornal A Folha Regional em 30 de novembro de 2012.

terça-feira, 12 de junho de 2012

O gênio, o Surfista e as Rotatórias da Cidade


“A fama é para os homens como os cabelos - cresce depois da morte, quando já lhe é de pouca serventia". - Albert Einstein”

Ser ou não ser um astro, eis uma delícia de pergunta que sempre se apresenta no palco da vida. A toda hora há redesco-bertas, novidades e gente procurando seu espaço. Um palco, o seu minuto de fama, tudo na intenção de ver sua estrela brilhar e na busca de um motivo para ser lembrado no futuro.  
 Mesmo aqueles que viveram na antiguidade, ou mais precisamente no século XVI, como o gênio Wiliam Shakeaspere, um dramaturgo inglês, que seguidamente se vê redescoberto e interpretado nos palcos do teatro. Apreciado com sua celebre frase: “Ser ou não ser eis a questão”, nem ele provavelmente imaginava que seu sucesso seria tão duradouro.
Ou então nos dias atuais, com as delícias do surfista Michel Teló, e seu hit momentâneo, “Ai se teu te pego”. Esta na crista da onda e sua música é cantada em muitas línguas (inglês, alemão, e tantas outras) mundo afora. Penso que terá pouca durabilidade e no final esta enorme onda acabará, mesmo, morrendo na praia. 
Pois aqui na terrinha, as rotatórias da cidade, é o palco adotado pelo Antonio Valdecir da Rosa. Misto de ator e cantor, ele usa o espaço para se apresentar diariamente. Conhecido por “Jiló”, ele encena acordes musicais na guitarra imaginária, e canta músicas de diferentes estilos musicais.   
Figura ímpar da cidade atende aos pedidos musicais dos transeuntes e motoristas e aproveita diariamente e deliciosamente o seu momento de astro. Mesmo que não alcance fama mundial, espero que se eternize na lembrança popular. Então, certamente, será coroado como o Rei das Rotatórias, o Michel Jiló getuliense.

Publicado no jornal A Folha Regional em 1º de junho de 2012.

segunda-feira, 5 de março de 2012

O Agradável Reencontro

“O tempo é muito lento para os que esperam, muito rápido para os que têm medo, muito longo para os que lamentam, muito curto para os que festejam, mas, para os que amam, o tempo é eterno.” Wiliam Shakespeare.
Meus escritos no jornal me proporcionam pelo segundo ano consecutivo, a convite do amigo Neivo, que eu passe uma semana de férias na praia de Capão Novo. Praia esta criada por um getuliense, o Sr. Elmar Wagner. Lá, a Adjori (Associação dos Jornais do Interior do RS) mantém um Centro de Cultura e Lazer.
Este local que conta com 19 apartamentos para 04 pessoas, piscinas, salão de festas, um CTG, cancha de bocha, garagens, visa proporcionar aos seus donos, funcionários e colaboradores um período de férias de uma semana, por módicos 380,00 reais por apartamento. 
Minhas filhas adoram aquele lugar e já deixaram claro que querem voltar na próxima temporada. Neste ano, foram conosco o restante da minha família por parte de mãe. Os meus tios Paulo e Heitor e as tias Nelci e Ana Laura. Fato que não havia ocorrido ao longo de toda minha existência e que foi muito prazeroso.
 Afora esta confraternização familiar, tive em Capão Novo um agradável reencontro.  Por muitos anos estive com uma venda nos olhos. Ela me cegou para a beleza do mar. Pois já dizia Dorival Caymmi que o mar quando quebra na praia é bonito, é bonito.
Deixei o tempo passar da infância à meia idade e, mesmo indo à praia, sequer tomava um bom banho no mar. Plantava na beira dela, comia algo, bebia uma caipira e observava alguma coisa sem nexo. No máximo colocava os pés na água para tirar uma foto de recordação.
Sequer percebia o quanto o mar é justo e democrata. Tem regras definidas e você deve se adaptar a elas. Não há dono do pedaço e quem chega primeiro na praia usufrui do espaço escolhido. Não existe diferença de cor, idade ou raça. E, basta se descuidar no ir e vir das ondas que sua vida está em perigo. 
Para não lamentar o tempo perdido nesta temporada na praia, e festejar este agradável reencontro com o mar, estou decidido a viajar mais seguido em direção a ele. Assim, desta forma, posso dizer ao mar que o tempo sempre será eterno para os que o amam.

Publicado no jornal A Folha Regional, em 2 de março de 2012.